Lorenço Oliveira

arquiteto de informação // jornalista digital // editor wordpress

lorencoliveira@gmail.com

@lorencooliveira

Produção de Vídeo: a minha primeira experiência com cliente

Produção de Vídeo: a minha primeira experiência com cliente

Eu achei que como jornalista formado, especializado na área digital, tiraria de letra a captação e edição de uma entrevista em vídeo. Lembro que executei algumas vezes esta atividade durante a faculdade, mas parece que tudo muda quando se trata de entrevistar um cliente, e não uma fonte jornalística.

Há uma distância significativa entre produzir uma entrevista jornalística, seja com um artista ou um político, e uma entrevista para um cliente, que está lhe pagando para isso.

Como expus anteriormente aqui, a arquitetura de informação no site Paulo Bier Barcelos foi desenvolvida de maneira que fizesse sentido com o estilo clínico dele do profissional. Eu esqueci, no entanto, de mencionar que, para seguir em frente neste processo, foi preciso fazer uma aproximação física com meu cliente. Assim, eu sugeri gravar uma entrevista presencial.

É claro, que a visita teve uma função objetiva de captar mídias para o site, como fotos de perfil e do ambiente de trabalho do cliente. No entanto, para além da função prática de captação, a intenção da visita também era de sentir o ambiente de seu consultório. E isso não era possível apenas por meio de reunião no Zoom. A minha ideia era destilar o seu estilo clínico em vídeo, para que se pudesse ter um conteúdo bruto consistente.

Assim eu comecei uma nova fase do projeto: a de perceber como Paulo poderá criar conteúdos para o site. O que seria apenas uma entrevista para conceber o site, passou também pela minha capacidade de captar as nuances do cliente e possíveis temáticas para abordar num canal de YouTube, por exemplo.

A grande questão é que o processo foi mais difícil do que parecia. Eu tive sorte de conseguir resolver a iluminação com uma excelente janela que alimentava o espaço com luz natural. A entrevista, no entanto, se prolongou e a luz não é para sempre. O ambiente era silencioso, bem arrumado, mas o áudio nem sempre estava de acordo e eu só fui descobrir isso na edição.

No final das contas, a experiência enriqueceu tanto a mim, que descobriu elementos técnicos durante o processo, quanto ao Paulo, que enfrentou a câmera para falar de si e seus casos.

Abaixo, deixo-os com o primeiro vídeo que produzi para o canal de Paulo. É uma primeira tentativa, imperfeita, mas que me deixou bastante entusiasmado.

Como a criação do site de um psicanalista ajudou a descobrir meu estilo criativo

Como a criação do site de um psicanalista ajudou a descobrir meu estilo criativo

Paulo é um psicólogo que atua em Osório (RS). Sua ideia era ter um espaço na internet que pudesse transmitir de maneira única seu estilo clínico: “uma clínica que acolha a imprevisibilidade da vida”. 

A minha missão foi desenvolver um site que pudesse conceber percursos de leitura para os seus pacientes e que pudesse contar um pouco sobre sua escuta psicanalítica. Sim, além de psicólogo formado, Paulo é mestre em psicanálise e segue linha lacaniana. 

O desafio foi desenhar um site agradável, fluído e que também não fosse tão simples. Para isso, foi preciso entender sua abordagem clínica para encontrar a melhor disposição gráfica para seus textos e buscar as imagens que melhor pudessem contar a sua história. 

Imersão em Lacan

Durante este processo Paulo se confrontou com diversas questões que desconhecia. O site levou cerca de dois meses e meio para ser concluído, um tempo relativamente longo em circunstâncias normais. Foram horas de reuniões pelo Zoom e dezenas de áudios no WhatsApp. Como se diz no jargão do meio psicanalítico, não chegamos a entrar em análise, mas, certamente, ocorreram alguns transferências (de conhecimento). 

Entender qual era o objetivo do meu cliente passou também por ouvir alguns podcasts sobre Jacques Lacan. Este psicanalista francês que ficou famoso por retornar a Freud e fundar uma nova vertente teórica de psicanálise explodiu a minha cabeça. A minha missão, portanto, era apresentar o profissional de forma simples na internet, mas que não fosse apenas uma adaptação bonita do seu currículo lattes. Paulo tinha uma metáfora na cabeça e alguns textos pré-escritos. O que faltava era organizar tudo isso numa experiência única e sem citar (demais) Freud e Lacan. 

Mesmo depois de apresentar-lhe algumas sugestões, eu ainda não estava satisfeito com os layouts pré-formatados que havia apresentado para Paulo. Faltava singularidade e alguma inventividade no novo espaço virtual. 

Mais escultura, menos pintura

Descobri que talvez o meu processo criativo tenha mais a ver com a de um psicanalista do que com a de um psicoterapeuta. Posteriormente, a minha analista me explicou uma analogia que Freud fez no campo das artes sobre isto: 

“A maneira de trabalho do psicoterapeuta é como a de um pintor, pela via de colocar (via di porre), pois está sempre adicionando tinta e distribuindo na tela. Já o psicanalista, ao contrário, atua como a de um escultor, pela via de retirar (via di levare), e está sempre subtraindo lascas de pedra.”

Só o fato de perceber que talvez eu seja mais um escultor do que um pintor de sites, já valeu o empenho em executar este projeto. O discurso de Paulo ainda me fez conhecer uma série de preposições sobre como a psicanálise faz uso do discurso para abordar questões como infância e parentalidade. Então, mais uma vez me deparei com uma questão fundamental em meu trabalho. 

Linguagem de programação: a palavra

Preciso confessar que não sou um profissional com profundos conhecimentos de linguagens de programação. Trabalho atualmente com a ferramenta Divi Builder em plataformas WordPress, ou seja, recursos de “drag-and-drop” e poucas linhas de código. Tenho um domínio de HTML, CSS, JavaScript e PHP limitado às demandas que me surgem. No final das contas, a linguagem que mais utilizei para executar este site foi a palavra. 

O trabalho semântico de um site é mais do que arrastar e colar módulos de WordPress. A grande questão para mim foi corrigir uma etapa fundamental pela qual eu havia passado batido: a arquitetura de informação. 

Assim voltei as folhas de ofício e comecei a desenhar wireframes, nuvem de palavras, sinônimos, antônimos, grupos de tags, listas intermináveis. Cheguei a revisitar as aulas de hipermídia da professora Andreia Mallmann para lembrar como se fazia uma taxonomia e fluxogramas. Era basicamente pegar a pedra bruta novamente e lapidá-lo do início. O processo demorou mais, mais acabei realizando uma imersão mais intensa no cerne do estilo clínico de Paulo 

Olhando agora nem parece que este projeto trilhou uma série de etapas e horas de construções de um mapa de interligações e caminhos possíveis. Todo esse processo poderia ter sido mais simples, mas acredito o site teve o tempo necessário de elaboração. De certa maneira, se encaixa com a forma que Paulo trabalha: respeitando o tempo de cada coisa e acolhendo o imprevisível da vida. 

Crédito da imagem: Edurne Chopeitia.